Como o estresse influencia na saúde ginecológica feminina?
6 de fevereiro de 2022
Um fato bastante conhecido é que o estresse costuma ser a causa de muitas doenças e isso não seria diferente com a saúde da mulher. Inúmeras disfunções do aparelho reprodutor feminino são resultantes de altos níveis de ansiedade.
Para esclarecer melhor essa questão, no artigo de hoje trouxemos algumas importantes informações sobre a influência do estresse na saúde ginecológica da mulher. Acompanhe a seguir.
Como o estresse afeta o corpo
O estresse acaba se relacionando com o perfil de várias doenças de duas formas mais significativas.
A primeira é porque ele altera o funcionamento hormonal. Em cada pico de estresse, há um pico de adrenalina e, consequentemente, um estímulo hormonal inadequado, que pode gerar alterações menstruais, alterações na ovulação ou até sangramentos genitais.
A segunda forma de influência do estresse na saúde é a queda na imunidade. O sistema imunológico está por trás de várias doenças no ser humano, o que ocorre muito em ginecologia.
Alterações no ph vaginal
A vagina possui um pH próprio, que precisa ser ácido, pois somente assim, consegue impedir a proliferação de agentes nocivos que não sobrevivem à acidez. Portanto, a produção dessa substância atua de forma a ser uma barreira protetora natural na região íntima.
Quando estamos sob estresse e ansiedade excessivos, os níveis de cortisol e adrenalina aumentam, e o Lactobacillus têm dificuldade em produzir a acidez necessária, o que leva a alterações na flora e no pH vaginal.
É importante frisar, no entanto, que o estresse não pode ser visto como uma causa direta das infecções vaginais. O seu papel nesse sentido é proporcionar o desequilíbrio do pH e alterações na flora vaginal, o que tornará a região íntima menos protegida, deixando a mulher suscetível a tais problemas.
Infertilidade
Um estudo feito pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, constatou que viver sob tensão constante acaba interferindo na fertilidade feminina. Depois de acompanhar mais de 200 casais tentando engravidar por 6 meses, os pesquisadores observaram que as mulheres tinham menos probabilidade de gerar filhos quando apresentavam níveis elevados de estresse.
“Há evidências que as catecolaminas liberadas em resposta ao estresse reduzem o fluxo sanguíneo e retarda a passagem do óvulo fertilizado no útero. Isso pode significar que o óvulo não chega a tempo para ser fecundado”, diz Germano Buck Louis, um dos autores do estudo.
Portanto, segundo a pesquisa, os resultados obtidos mostram que tomar medidas para reduzir o estresse, seja no trabalho ou em casa, podem ajudar mulheres em idade fértil a alcançar a gravidez desejada.
Infecção urinária
Alguns dos sintomas que acompanham o aparecimento da infecção urinária são: calafrios, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e ardência. Esse é um problema bastante comum e que afeta principalmente as mulheres.
Estima-se que cerca de 30% das pessoas que tiveram infecção urinária uma vez reclamam de novas dores em seis meses, segundo estudo feito pela Universidade de Harvard (EUA).
O estresse se encaixa aqui como um dos principais motivos para a recidiva, pois, como já falamos, ele afeta diretamente nossa imunidade. Em alguns casos, é recomendado o acompanhamento de um psicólogo para aliviar os seus efeitos sobre o corpo.
Endometriose
A endometriose é a presença e o crescimento de um tecido que se chama endométrio, fora da região interna do útero da mulher, podendo gerar um gradativo aumento do fluxo menstrual, além de cólica e dor pélvica.
Existem estudos que indicam que o estresse e a ansiedade são possivelmente fatores de risco para o desenvolvimento das células endometriais.
Por isso, caso a mulher esteja realizando um tratamento para a doença, o ideal é que ela possa focar também em aliviar a tensão do dia a dia. Isso deve diminuir a possibilidade de recidiva (reaparecimento da doença), que é altíssima. Mesmo após a cirurgia, muitas mulheres voltam a apresentar a lesão, já que é uma doença bem agressiva.
Como você viu, o estresse representa um fator decisivo para o bem estar da mulher, influenciando diretamente em como o seu corpo reage e combate ameaças externas.
Assim, o mais importante é conseguir alcançar um equilíbrio diário, realizando tarefas relaxantes, como meditação, ioga, massagens ou outras técnicas de relaxamento que podem ajudar.